Pix, Nubank, Mercado Pago e Binance têm ligação? O que se sabe
Até a manhã de 7/11, nenhuma fonte oficial ou veículo consultado confirmou ligação entre a queda do Pix, o bloqueio de cripto no Nubank e no Mercado Pago e o roubo de US$ 6,3 bilhões na Binance. Os casos ocorreram entre 29/10 e 6/11, e cada um tem explicação própria dada pelas empresas ou pelo Banco Central. O Nubank normalizou saques e depósitos de cripto às 22h de 6/11. A causa da queda do Pix e o fornecedor que falhou nos apps de cripto ainda não foram revelados.
O que se sabe
- O Pix teve falha na noite de 6/11. O Banco Central disse que houve uma 'indisponibilidade parcial', que a equipe técnica resolveu rápido e que seus sistemas funcionam normalmente. Segundo o Downdetector, site que mede reclamações de falhas, o pico foi às 19h11, com 11.090 relatos. (Diário do RN (abre em nova aba))
- A falha do Pix atingiu clientes de vários bancos, entre eles Nubank e Mercado Pago, além de Itaú, Bradesco, Caixa, Banco do Brasil, Santander, C6 Bank e Inter. A nota do BC não detalhou a causa nem quantas transações foram afetadas. (Mixvale (abre em nova aba))
- Na sexta (6/11), o Nubank suspendeu depósitos e saques de cripto na NuCripto e atribuiu o problema a uma instabilidade em um fornecedor externo de dados. O banco diz que a falha não está na sua infraestrutura e que os ativos seguem protegidos. (Poder360 (abre em nova aba))
- O Nubank normalizou os saques e depósitos de cripto a partir das 22h de sexta (6/11). O banco disse que a instabilidade no fornecedor não afetou sua infraestrutura e que os ativos e as informações dos clientes ficaram protegidos. (InfoMoney (abre em nova aba))
- O Mercado Pago bloqueou parte das transferências de cripto para carteiras externas. Atribuiu o problema a um incidente em um fornecedor de monitoramento de risco e prevenção à lavagem de dinheiro. Depósitos podem atrasar e serão creditados automaticamente quando o sistema voltar. (Amado Mundo (abre em nova aba))
- Segundo o Metrópoles, a suspensão não significa que as criptomoedas foram perdidas. O problema foi em serviços de fornecedores externos, e não em um ataque ou falha de segurança. Compra e venda dentro dos apps continuaram funcionando. (Metrópoles (abre em nova aba))
- A Binance sofreu o roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões em 29/10. A maior parte saiu em cerca de 20 minutos, de carteiras que a corretora usa para processar transações. A TRM Labs, empresa de análise de blockchain, diz que os atacantes comprometeram a infraestrutura de assinatura da Binance. (CNN Brasil (abre em nova aba))
- Em relatório divulgado em 3/11, a Binance disse que os invasores usaram uma falsa entrevista de emprego e uma ferramenta adulterada para chegar às carteiras. O FBI atribuiu o ataque a um grupo norte-coreano, e a Coreia do Norte rejeitou a acusação. A Binance diz que está ressarcindo quem perdeu recursos. (Terra (abre em nova aba))
- A Chainalysis, empresa americana que analisa transações de cripto para corretoras, bancos e polícias, informou em 30/10 que um invasor acessou sistemas internos e dados de clientes. A empresa disse que o caso não tem relação com o roubo na Binance. (Infosecurity Magazine (abre em nova aba))
- Um dia antes, em 5/11, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) informou que dados pessoais de clientes, como nome, CPF e e-mail, foram acessados sem autorização. O fundo diz não ter visto perda financeira e alerta para golpes. (Poder360 (abre em nova aba))
- Nenhum veículo consultado descreve ligação entre o roubo na Binance e as falhas do Nubank e do Mercado Pago. Segundo o Amado Mundo, apesar da proximidade das datas, não há informações que liguem essas falhas a ataques ou falhas de segurança internas. (Amado Mundo (abre em nova aba))
- O vídeo que viralizou também cita "33 países" que orientam a população a estocar comida. Japão, Alemanha, Suécia, Noruega, Reino Unido e Estados Unidos têm orientações de reserva em casa, em geral de 3 a 10 dias, por desastres naturais, guerra e ciberataques. Várias orientações são antigas: a dos EUA existe há anos, a da Noruega é de 2024 e a proposta da União Europeia, de março de 2025. (Gazeta do Povo (abre em nova aba))
O que ainda não se sabe
- Não se sabe a causa da queda do Pix. O Banco Central confirmou a falha parcial, mas não disse o que a provocou.
- Não se sabe qual fornecedor falhou no Nubank e no Mercado Pago. Segundo o Mixvale, as duas empresas não identificaram a empresa.
- Se a Chainalysis é o fornecedor que falhou no Nubank ou no Mercado Pago. A empresa confirmou o ataque que sofreu, mas nenhuma das duas instituições disse quem é o fornecedor, e não há ligação confirmada.
- Boatos de ataque hacker à Paxos, empresa que faz a custódia (a guarda) de cripto para o Mercado Pago, circulam em portais de cripto. Não foram confirmados. Segundo o SpaceMoney, a Paxos não se manifestou de imediato.
- Não há confirmação de ligação entre o Pix fora do ar, o bloqueio de cripto e o roubo na Binance. Por ora, são três episódios com explicações separadas.
- Quando o Mercado Pago libera de novo todas as transferências de cripto para carteiras externas. Até a manhã de 7/11, não havia confirmação.
- De onde vem a conta de "33 países". A Gazeta do Povo lista as orientações de cerca de oito governos e não cita uma lista de 33. Na Malásia, onde o número circulou na imprensa, o governo disse que não é preciso estocar comida (fonte: Malay Mail, 2/11).
O que muda para você
- Pix: segundo o Banco Central, o serviço voltou ao normal. Se uma transferência falhou na noite de 6/11, confira o extrato do app antes de repetir o envio.
- Cripto no Nubank: saques e depósitos voltaram às 22h de 6/11, segundo o banco. No Mercado Pago, compra e venda seguem funcionando, mas parte das transferências para carteiras externas pode continuar bloqueada.
- Mercado Pago: depósitos de cripto podem demorar. A empresa diz que serão creditados sozinhos quando o sistema voltar.
- Binance: quem tinha dinheiro na corretora deve acompanhar os comunicados dela. A empresa diz que está ressarcindo quem perdeu recursos no ataque.
- Seguros de cripto: segundo a Reuters, via CNN Brasil, o roubo leva seguradoras a olhar mais de perto a segurança das empresas do setor. O efeito deve aparecer nas próximas renovações das apólices.
Como se proteger
- Tenha mais de um jeito de pagar: um cartão, a conta de um segundo banco e um pouco de dinheiro em espécie ajudam quando o Pix ou um app falha por algumas horas.
- Desconfie de ligação, mensagem ou link que promete refazer um Pix que falhou, liberar sua cripto ou devolver dinheiro da Binance. Fale com a instituição só pelo app ou pelo site oficial.
- Desconfie de conteúdo que junta notícias soltas para vender uma solução (conta no exterior, outra cidadania, cripto). Antes de mexer no seu dinheiro por medo, confira os fatos nas fontes oficiais.
Linha do tempo
- 20/10: Segundo a Binance, o invasor assumiu o controle do sistema de um desenvolvedor de carteiras e de um segundo desenvolvedor da mesma equipe. (Terra (abre em nova aba))
- 29/10: A Binance sofre o roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões. A maior parte sai em cerca de 20 minutos, depois das 20h GMT. (CNN Brasil (abre em nova aba))
- 30/10: A Chainalysis informa que um invasor acessou sistemas internos e dados de clientes. (Infosecurity Magazine (abre em nova aba))
- 03/11: A Binance divulga o relatório sobre o ataque. O FBI atribui a ação a um grupo norte-coreano, e a Coreia do Norte rejeita a acusação. (IT Forum (abre em nova aba))
- 05/11: O FGC informa acesso não autorizado a dados pessoais de clientes. (Poder360 (abre em nova aba))
- 06/11: Nubank e Mercado Pago suspendem saques e depósitos de cripto, ou parte das transferências, e culpam fornecedores externos. (Poder360 (abre em nova aba))
- 06/11: À noite, o Pix fica instável a partir das 18h40. O Banco Central diz que a indisponibilidade parcial foi resolvida. (Diário do RN (abre em nova aba))
- 06/11: Às 22h, o Nubank normaliza saques e depósitos de cripto. (InfoMoney (abre em nova aba))
Conteúdo educativo e informativo. Não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo nem considera a sua situação financeira. Decisões de investimento são suas; se precisar, procure um profissional certificado. Viu um erro? Escreva para [email protected] (política de correções).