Ibovespa depois da eleição: quanto caiu e o que se sabe
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou a 166.191,45 pontos em 5 de novembro. Isso é cerca de 20,5% abaixo do recorde de fechamento de 9 de outubro (209.067 pontos), em conta do Termômetro com os dois fechamentos. A maior parte da queda veio em 26 de outubro, um dia depois da reeleição de Lula, quando o índice caiu 13,88%, segundo InfoMoney e Reuters.
O que se sabe
- O recorde de fechamento do Ibovespa foi de 209.067 pontos, em 9 de outubro, com o dólar perto de R$ 5,00. A alta veio depois do primeiro turno, em que o índice subiu 7,7% em um só pregão, segundo levantamento da Genial Investimentos. (Genial Investimentos (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- Em 26 de outubro, o Ibovespa caiu 13,88%, a 176.608,23 pontos. Foi a maior perda em um dia desde 16 de março de 2020. A B3 acionou o circuit breaker, o mecanismo que suspende os negócios em quedas fortes, pela primeira vez desde março de 2020. (InfoMoney (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- Segundo a Reuters, o resultado contrariou a aposta de investidores na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e em uma agenda econômica que se esperava mais favorável ao ajuste das contas públicas. Um levantamento da Elos Ayta, citado pela agência, mostra perda de R$ 734 bilhões em valor de mercado na sessão. (Reuters (via InfoMoney) (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- Em 30 de outubro, a Reuters informou que o Ibovespa acumulava perda de 18,5% desde o resultado da eleição. Investidores estrangeiros retiraram quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário (a bolsa em si) nos três primeiros pregões da semana. (Reuters (via Investing.com) (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- Outubro fechou com queda de 9,88%, aos 167.921,80 pontos, a maior perda mensal desde junho de 2022. No ano, o índice ainda tinha alta de 4,22% em 30/10, segundo o resumo do mês. (Gazeta Mercantil (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- Em 3 de novembro, o Ibovespa fechou a 165.528,92 pontos (-1,42%), o menor nível desde janeiro e a sexta queda seguida. Em 4/11, subiu 1,23% e interrompeu a sequência. (SpaceMoney (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- Na noite de 4/11, o Copom manteve a Selic, a taxa básica de juros, em 13,75% ao ano. Isso interrompeu uma sequência de cinco cortes. O comitê citou piora das expectativas de inflação e mais incertezas fiscais, segundo o Investidor Institucional. (Investidor Institucional (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- Em 5 de novembro, o Ibovespa caiu 0,82%, a 166.191,45 pontos. O dólar subiu 0,68%, a R$ 5,4886. As explicações do dia foram o recuo da Petrobras, a queda das ações de tecnologia no exterior e as dúvidas sobre a política fiscal do próximo governo. (Money Times (abre em nova aba) (abre em nova aba))
O que ainda não se sabe
- Não foi confirmado quando o governo vai anunciar a equipe econômica nem quais medidas vai adotar para controlar a dívida pública. Segundo a Nomad, citada pela Reuters, os investidores acompanham esses sinais de perto.
- Não há consenso sobre se a queda já acabou. Analistas do Itaú BBA, ouvidos pela Reuters em 28/10, disseram que o índice não mostrava sinal consistente de recuperação. Esse quadro pode ter mudado desde então.
- Não há consenso sobre o peso de cada causa. Para a Reuters, o principal fator foi a reversão das apostas na vitória de Flávio Bolsonaro. Analistas ouvidos pela Exame dizem que a queda também reflete o excesso de otimismo que levou o índice ao recorde antes da votação.
- O fechamento de 6/11 ainda não estava disponível nas fontes consultadas. A pauta do dia era o relatório de emprego dos EUA e os sinais do governo sobre o ajuste das contas públicas, segundo o InfoMoney citado pelo SpaceMoney.
- Os veículos divergem sobre a data da máxima do dia (5/10 ou 9/10) e sobre o tamanho da queda acumulada (de 17,5% a 18,5%, conforme a data e a base de comparação). Este texto usa o recorde de fechamento de 9/10, da Genial.
O que muda para você
- Quem tem fundo ou ETF (fundo negociado em bolsa) que acompanha o Ibovespa vê o valor da cota seguir o índice. Em outubro, R$ 10 mil em um papel que replicasse o índice virariam cerca de R$ 9.012, pela queda de 9,88%.
- A Selic mantida em 13,75% significa que a taxa básica parou de cair por ora. Aplicações atreladas à Selic ou ao CDI seguem a taxa atual, e juros de crédito não ganham novo alívio por causa de um corte.
- O dólar perto de R$ 5,49 encarece produtos importados, viagens e compras em moeda estrangeira em relação ao patamar de R$ 5,00 do início de outubro.
- A queda do índice é uma média. Segundo o resumo de outubro, só 11 das 76 ações do Ibovespa subiram no mês, e 26 caíram mais de 20%. Ações de empresas diferentes tiveram resultados bem diferentes.
Linha do tempo
- 09/10: Ibovespa fecha no recorde histórico de 209.067 pontos. (Genial Investimentos (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- 26/10: Dia seguinte ao 2º turno: Ibovespa cai 13,88%, com circuit breaker. (InfoMoney (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- 30/10: Outubro fecha com queda de 9,88%, aos 167.921,80 pontos. (Gazeta Mercantil (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- 03/11: Ibovespa fecha a 165.528,92 pontos, o menor nível desde janeiro. (SpaceMoney (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- 04/11: Copom mantém a Selic em 13,75% e interrompe cinco cortes seguidos. (Investidor Institucional (abre em nova aba) (abre em nova aba))
- 05/11: Ibovespa cai 0,82% e fecha a 166.191,45 pontos; dólar a R$ 5,4886. (Money Times (abre em nova aba) (abre em nova aba))
Fontes
- Genial Investimentos (abre em nova aba) (abre em nova aba)
- InfoMoney (abre em nova aba) (abre em nova aba)
- Reuters (via InfoMoney) (abre em nova aba) (abre em nova aba)
- Reuters (via Investing.com) (abre em nova aba) (abre em nova aba)
- Gazeta Mercantil (abre em nova aba) (abre em nova aba)
- SpaceMoney (abre em nova aba) (abre em nova aba)
- Investidor Institucional (abre em nova aba) (abre em nova aba)
- Money Times (abre em nova aba) (abre em nova aba)
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