Troca de diretores do Banco Central até 2027: o que se sabe
Seis das nove cadeiras da diretoria do Banco Central (BC) terão novos ocupantes até o fim de 2027, segundo reportagem da Folha publicada em 3 de novembro. A escolha é do presidente Lula, e cada nome precisa do aval do Senado. Nada muda nos juros agora: em 4 de novembro, o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade.
O que se sabe
- O presidente reeleito Lula poderá indicar seis nomes para a diretoria do BC até o fim de 2027. Duas cadeiras estão vagas desde janeiro, mais duas indicações podem sair até fevereiro de 2027, e outras duas vagas abrem em 31 de dezembro de 2027. (Folhapress (via ICL Notícias) (abre em nova aba))
- As duas vagas abertas são as de Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e Resolução), cujos mandatos terminaram em janeiro. Desde então, outros diretores cumprem essas funções de forma interina, ou seja, temporária. (Jornalocal (com base na Folha) (abre em nova aba))
- Nilton David, diretor de Política Monetária, tem mandato até 28 de fevereiro de 2027, pois ocupou a vaga que sobrou da ida de Galípolo para a presidência do BC. (InfoMoney (abre em nova aba))
- Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira têm mandato até 31 de dezembro de 2027. A Lei de Autonomia do BC permite renovar por mais quatro anos. (Agência Gov (abre em nova aba))
- A escolha do nome é do presidente da República, mas o Senado precisa aprovar cada indicado depois de uma arguição pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). (Distrito News (abre em nova aba))
- Se as seis vagas forem preenchidas, os novos diretores serão maioria na diretoria de nove integrantes a partir de 2028. Ficariam Gabriel Galípolo, Gilneu Vivan e Izabela Correa, com mandatos até 31 de dezembro de 2028. (Folhapress (via Diário de Cuiabá) (abre em nova aba))
- O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade. Isso interrompeu uma sequência de cinco cortes. O comitê citou mais incerteza e expectativas de inflação mais altas. (InfoMoney (abre em nova aba))
- Em 8 de maio de 2024, Galípolo e os demais indicados por Lula votaram por um corte maior da Selic, de 0,50 ponto percentual. Perderam por 5 votos a 4. Depois disso, todas as decisões do colegiado foram unânimes. (Folhapress (via Diário de Cuiabá) (abre em nova aba))
O que ainda não se sabe
- Quem serão os indicados. As buscas não encontraram nenhuma indicação formal enviada ao Senado, e as datas das sabatinas (as arguições na CAE) não foram divulgadas.
- Nomes que circulam são boatos ou relatos, sem confirmação oficial. Um é o do economista André Roncaglia, que disse estar surpreso e não ter sido procurado pela equipe econômica. Outro é o de Carolina Bohrer, que, segundo relatos reunidos pela Folha, teria a simpatia de Galípolo.
- Se os diretores com mandato até 2027 serão reconduzidos (mantidos por mais quatro anos). A Folha diz que a recondução do diretor de Fiscalização não está descartada, mas não há decisão.
- Como os novos diretores votarão nos juros. As leituras divergem: segundo a Folha, o mercado teme um BC mais tolerante com a inflação para acelerar a queda da Selic. O ex-diretor do BC Sérgio Werlang acha que Lula deve escolher perfis moderadamente conservadores, como Galípolo e Picchetti. Já Gustavo Loyola, da Tendências, diz que o governo pode preferir nomes mais flexíveis se a popularidade cair.
- Por que duas vagas seguem abertas desde janeiro. O Metrópoles atribuiu a demora a uma disputa entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Essa explicação foi atribuída ao veículo e não foi confirmada por fonte oficial.
O que muda para você
- Hoje, nada muda. A Selic, a taxa básica de juros que serve de referência para financiamentos, cartão e renda fixa, está em 13,75% ao ano, definida pelo Copom atual.
- As trocas só começam com a aprovação do Senado e se completam até o fim de 2027. Os mandatos são fixos, de quatro anos, e o presidente não pode demitir diretores a qualquer momento.
- Ter maioria de indicados não significa controlar a Selic. Cada decisão do Copom é votada por nove integrantes, e os juros dependem também da inflação e das contas públicas.
- Para quem tem financiamento ou investe em produtos ligados à Selic, o que pesa nos próximos meses é o Copom de dezembro. Parte dos economistas ouvidos pelo Jornal de Brasília avalia que a taxa pode ficar em 13,75% na reunião de dezembro.
Linha do tempo
- 31/12: Lula nomeia Galípolo presidente do BC e Nilton David, Izabela Correa e Gilneu Vivan diretores, em decreto no Diário Oficial. (InfoMoney (abre em nova aba))
- 01/01: Duas diretorias do BC ficam vagas, com o fim dos mandatos de Diogo Guillen e Renato Gomes. (Jornalocal (abre em nova aba))
- 03/11: A Folha publica que Lula poderá indicar seis diretores do BC até o fim de 2027. (Folhapress (via ICL Notícias) (abre em nova aba))
- 04/11: O Copom mantém a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade, na primeira reunião depois do segundo turno das eleições. (Jornal de Brasília (abre em nova aba))
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